Vez ou outra acabo embarcando em maratonas onde assisto vários filmes e séries do mesmo estilo. Foi assim que cheguei até O Rastreador (Tracker), após ter maratonado Reacher, Jack Ryan e Cross.
O Rastreador, estrelada por Justin Hartley (o Arqueiro Verde de Smallville), apresenta o protagonista Colter Shaw, que se encaixa perfeitamente na persona do “faz-tudo” cuja primeira associação que o espectador brasileiro fará é compará-lo ao multifunções Rodrigo Hilbert, também conhecido como o esposo de Fernanda Lima.
Assim como o apresentador que cozinha, constrói, e resolve qualquer problema doméstico com uma facilidade de deixar MacGyver com inveja, Colter Shaw é um especialista em rastreamento e resolução de casos, capaz de encontrar pessoas desaparecidas e solucionar mistérios complexos com uma habilidade quase sobrenatural. Ele viaja pelo país em seu trailer, oferecendo seus serviços a quem precisa, e raramente falha em suas missões. E raramente deixa de cobrar por elas também.
Essa comparação com Rodrigo Hilbert não é meramente uma brincadeira, mas um ponto crucial para entender o apelo de O Rastreador. Em um cenário onde a complexidade e a interconexão de tramas dominam as produções televisivas, Colter Shaw surge como um herói à moda antiga, um indivíduo autossuficiente que, com suas habilidades e inteligência, consegue desvendar os mais intrincados quebra-cabeças. Ele é o homem que você chama quando tudo mais falha, o que remete à imagem que o brasileiro criou de Hilbert como o solucionador de problemas definitivo. A série capitaliza essa ideia de um protagonista infalível, que sempre tem uma carta na manga, seja para escapar de uma emboscada ou para decifrar uma pista obscura.
Além da figura do herói faz-tudo, O Rastreador resgata um formato que fez muito sucesso no início dos anos 2000: a série procedural com “caso da semana”. Séries como “CSI”, “Law & Order”, “House” e “Smallville” (em suas primeiras temporadas) eram mestres em apresentar um novo mistério ou problema a ser resolvido em cada episódio, com uma trama principal que avançava lentamente ao fundo. A série adota essa estrutura com maestria, entregando episódios que se iniciam e se encerram com a resolução de um caso específico, garantindo a satisfação do espectador a cada nova aventura de Colter Shaw. Essa abordagem permite que a série seja facilmente consumida em doses homeopáticas, sem a necessidade de maratonas intensas para acompanhar uma narrativa complexa.
A variedade de cenários e problemas a serem resolvidos é um eco das séries dos anos 2000, que muitas vezes tinham 20 e poucos episódios de 40 minutos por temporada, exigindo uma constante reinvenção para manter a audiência. O Rastreador consegue replicar essa dinâmica, oferecendo uma experiência de visualização que é ao mesmo tempo familiar e refrescante.
E muito disso deve-se ao carisma do personagem interpretado por Justin Hartley. O ator consegue fazer de seu personagem um protagonista que agrada todos os públicos, dos que buscam uma diversão momentânea na TV como aqueles fanáticos por mistérios que se desenrolam por toda uma temporada. Vale mencionar que a série é baseada no best-seller The Never Game, do escritor Jeffery Deaver.
E se num primeiro momento a série parece mirar apenas no público em busca de um programa com masculinidade e altas doses de testosterona, o programa acaba adotando outra abordagem, focando na sensibilidade dos personagens e em sua capacidade de resolução dos casos que vai além do uso dos músculos. E é essa sensibilidade que não se limita apenas ao protagonista que irá cativar o espectador que chegou despretensiosamente até a série.
Embora Colter Shaw seja o centro das atenções, O Rastreador também se beneficia enormemente de seus personagens secundários. Eles não são meros coadjuvantes, mas figuras que adicionam profundidade à narrativa, oferecendo suporte, desafios e, por vezes, um contraponto bem-vindo à natureza solitária do protagonista. Seja a advogada astuta que o auxilia com questões legais, o contato que fornece informações cruciais, ou os membros de sua família com quem ele tem uma relação complexa, esses personagens enriquecem o universo da série, humanizam Colter e garantem que, mesmo em um formato episódico, haja um senso de continuidade e desenvolvimento emocional que prende o espectador. A dinâmica entre Colter e essas figuras é essencial para explorar as nuances de sua personalidade e as motivações por trás de suas ações, elevando a série além de um simples procedural.
A série já está renovada para uma 3ª temporada, onde devemos avançar ainda mais no mistério de background cujas pistas são deixadas ao longo dos episódios como migalhas em um caminho a ser rastreado por Colter Shaw.
Em suma, O Rastreador é uma série que acerta ao abraçar a simplicidade e a eficácia do formato procedural, ao mesmo tempo em que apresenta um protagonista carismático e multifacetado, que evoca a imagem do herói habilidoso e solucionador de problemas. Para os fãs de séries de ação e mistério que sentem falta da estrutura de “caso da semana” e buscam um entretenimento direto e envolvente, O Rastreador é uma excelente pedida, provando que nem toda série precisa de arcos complexos e cliffhangers a cada episódio para conquistar o público. É o tipo de série que você pode assistir para relaxar, sabendo que Colter Shaw, o Rodrigo Hilbert do rastreamento, sempre encontrará uma solução.
O Rastreador
O Rastreador é estrelado por Justin Hartley como Colter Shaw, um lobo solitário sobrevivente que percorre o país em busca de recompensas, usando suas habilidades de rastreamento especializado para ajudar cidadãos e autoridades a resolver todo tipo de mistério enquanto lida com sua família fragmentada. A série é baseada no best-seller The Never Game, de Jeffery Deaver.
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