Se você fosse um viajante do tempo chegando por aqui hoje e se deparasse com Matrix Resurrections nos cinemas, Alfred Molina e Willem Dafoe em Homem-Aranha, um novo filme de Space Jam e até mesmo uma série baseada em Karatê Kid no streaming, restaria a dúvida se sua máquina estaria funcionando corretamente e te trouxe mesmo para 2021 ou acabou desviando o caminho e parou em meados dos anos 90/2000.
O longa estrelado por Keanu Reeves e Carrie-Anne Moss toma como base os acontecimentos da trilogia lançada há duas décadas ao compasso que aproveita a ocasião para dar um leve reinício para a franquia, se assim as Wachowskis desejarem.
É bom que sirva de aviso que Matrix Ressurections em quase nada lembra a trilogia original, ao menos visualmente. Se o longa de 1999 tendia para uma linguagem visual futurista e tecnológica, a pegada do novo filme é algo que se aproxima de um visual mais “pop”, por assim dizer.
Saem de cena os sobretudos de couro e óculos pretos e entram os trajes, cabelos e óculos coloridos; pode parecer que não, mas isso faz diferença para um grande estúdio que tenta acompanhar a concorrência e emplacar novamente uma grande franquia que foi sucesso absoluto há duas décadas, quando os filmes de super-heróis ainda estavam engatinhando.
A trama de Matrix Resurrections
Após se sacrificarem em Matrix Revolutions (não vai reclamar de spoiler de um filme de 2003 né?) para promover a paz entre humanos e máquinas, Neo, ou melhor dizendo, Thomas Anderson (Keanu Reeves) e Trinity, agora Tiffany (Carrine-Anne Moss) retornam como dois desconhecidos em um mundo em que a Matrix ainda está na ativa.
Neo é um designer de jogos premiado e responsável por criar uma trilogia de jogos inspirada na Matrix, o que rende uma série de situações de metalinguagem que corroboram o que se tornou grande parte da cultura pop: o “fanservice”. As inúmeras estátuas ligadas a franquias da Warner Bros. e as conversas sobre filmes e demais adaptações apenas corroboram a ideia de que as conexões multiversais e as referências aqui e acolá representam atualmente.
E isso acaba levando a uma conversa HILÁRIA que arrancará risos da plateia, explicando a volta de Lana Wachowski para a direção, já que se ela não o fizesse, em algum momento o estúdio acabaria fazendo o filme da mesma forma com outra pessoa.
Já Trinity se tornou uma mãe e dona de casa cujo único hobbie é consertar motocicletas. E sim, é apenas isso mesmo!
A trama coloca os dois protagonistas como desconhecidos que passam a ter encontros esporádicos em um café, levando Thomas Anderson a questionar se aquilo que vive é real ou é apenas mais um desvio de sua sanidade. É a partir daqui que a história começa a se desenrolar de verdade, apresentando novos personagens e trazendo a volta de rostos conhecidos, abrindo um leque de opções para a franquia que dificilmente serão explorados novamente por Lana Wachowski.
O grande acerto: o elenco de Matrix Resurrections
Se as Wachowski resolverem dar por encerrado o que tinham a falar sobre Matrix, é certo dizer que em algum momento futuro o estúdio resolverá revisitar a franquia, e dependendo dos números de bilheteria, isso pode ocorrer mais rápido do que se imagina.
Se o estúdio resolver trilhar novos caminhos com a franquia, será um acerto manter os novos nomes trazidos por Lana. Yahya Abdul-Mateen II, Jessica Henwick, Jonathan Groff, Neil Patrick Harris, Priyanka Chopra Jonas foram um sopro para o filme e são capazes de sustentar uma continuação, mesmo sem a presença de Reeves e Moss.
Mas foram os nomes vindos de Sense8 que foram outra surpresa positiva, Eréndira Ibarra, Toby Onwumere, Max Riemelt e Brian J. Smith trouxeram consigo a química da série da Netflix com naturalidade para o blockbuster, é como se estivéssemos revisitando velhos amigos em um novo cenário. Seria interessante conhecer mais desses personagens, quem sabe em uma série no HBO Max?
Matrix não é sobre tecnologia, é sobre amor
Se a trilogia Matrix trouxe discussões filosóficas que permeiam os sites de cultura pop até hoje, é correto afirmar que os longas foram além de discussões sobre conservadorismo e transexualidade, tratando-se de um sentimento muito mais singelo: o amor.
O amor de Neo e Trinity, as mensagens de amor próprio que ainda tocam os fãs, o amor à diversidade… o amor! Outras obras das Wachowski evidenciam o quanto o amor é importante, seja através de Cloud Atlas ou Sense8, e agora Matrix Resurrections, é o amor que torna essas obras tão importantes e inerentes a seu tempo para espalhar mensagens sobre aceitação e respeito, algo tão necessário nos dias atuais, onde a simples mudança de etnia ou preferência sexual de um personagem é capaz de tirar da Matrix os mais eloquentes e preconceituosos fãs que não conseguem compreender as obras que consomem há décadas.
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