No final deste ano será publicado, em 17 países, um livro inédito de Simone de Beauvoir. A informação foi confirmada por Sylvie Le Bon de Beauvoir, filha da escritora e filósofa francesa, ao jornal The New York Times, nesta terça-feira (28).
Em suas memórias de 1963, “Força de Circunstância: A autobiografia de Simone de Beauvoir”, ela fez uma referência fugaz e tentadora a uma obra de ficção que ela abandonara. Ela descreveu sua tentativa de escrever uma história centrada em sua melhor amiga Élisabeth Lacoin, mais conhecida como Zaza, que morreu jovem de encefalite viral.

O livro inédito de Simone de Beauvoir começou a ser escrito em 1954, cinco anos depois de publicar seu livro de maior sucesso e tratado feminista inovador “O Segundo Sexo”. Ela trabalhou por alguns meses e depois mostrou a Jean-Paul Sartre, seu parceiro romântico de longa data. Sartre não ficou impressionado. Beauvoir escreveu em suas memórias que concordava com a avaliação murcha: A história, ela escreveu, “parecia não ter necessidade interior e falhou em manter o interesse do leitor”.
Nas décadas seguintes, estudiosos da literatura se perguntaram o que aconteceu com o manuscrito. Mesmo quando outros trabalhos póstumos de Beauvoir foram publicados, incluindo volumes de seus diários de guerra e suas cartas de amor (para Sartre, Nelson Algren e Jacques-Laurent Bost), o destino do romance permaneceu um mistério.
Agora, As Inseparáveis finalmente será publicado, depois que Le Bon decidiu começar a liberar as obras de ficção do arquivo que herdou.

— Ela destruiu alguns trabalhos que não ficou satisfeita — disse Le Bon. — Mas não destruiu este. Ela me disse para “eu fazer o que achasse certo” com ele — acrescentou. A filha da filósofa guarda os escritos em sua casa há anos e afirma que o leu pela primeira vez após a morte da mãe, em 1986.
O romance de 176 páginas ilustra um capítulo formativo do início da vida de Beauvoir e um relacionamento essencial que moldou suas opiniões sobre a desigualdade de gênero e o sexismo.







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